Como escolher um ídolo?
4 08 2007Por Michel Pozzebon / No Plural
A cada dia nos deparamos com fatos e notícias que nos deixam de “cabelo em pé”. Os diversos escândalos que a população brasileira tem que “engolir goela abaixo” e outras coisas mais, tanto em nível político quanto em nível social. A partir do meio social começo analisando a construção dos mitos e heróis.
Antigamente as pessoas tinham como ídolos personagens históricos que lutavam por ideais e por uma sociedade digamos mais digna. Aquele famoso ditado ainda prevalecia: “vestia a camiseta”. Hoje em dia o que se pode analisar é jovens cada vez mais desinformados e que adotam ídolos apenas por acharem que eles são “bonitos” ou “legalzinhos”, sem nem ao menos saberem um pouco de sua história.
Certo dia, fui eu acessar a famosa rede de relacionamentos virtuais, o Orkut, lá fui navegando pelas seções de Comunidades, eis que acesso o grupo de pessoas que tinham como ídolo o guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara. Bom, até ai tudo bem, mas passei a ver as discussões a que se propunha o tal grupo e constatei que eu sendo leigo no tema “Che Guevara”, sabia muito mais do que aquelas “cabeças” que ali estavam. Vi pessoas que nem ao menos sabiam que o guerrilheiro era argentino, a grande maioria que ali estava afirmava que Che era cubano. Puxa vida, aquilo para mim foi “grosseiro”, foi o mesmo que chamar um japonês de chinês ou vice-versa. Um total desconhecimento de história e o pior de tudo, classificam “o cara” como seu ídolo sem nem ao menos saber de sua nacionalidade, o que digamos é algo básico.
Bom, remeto tudo isso que relatei como experiência própria, alguma vez na vida já me deparei com estas situações e também não estou aqui para dizer que estou certo e que também nunca fiz isso. Pois como diz aquela passagem bíblica: “que atire a primeira pedra quem nunca pecou”. Tolice total, cometi diversas vezes esse erro que vi no Orkut e posso dizer sem sombra de dúvida que a maioria dos brasileiros é assim. Talvez seja culpa da mídia! Bom, mas afinal, tudo é culpa da mídia e do governo! “Puxa, haja saco”, sempre sobra para eles.
Quem sabe o problema não seja a gente? Analiso a construção de um mito também a partir do conhecimento e da cultura do povo que idolatra alguém. Tomo como base o Big Brother. O programa que reúne um bando de pessoas que fica confinado em uma casa durante alguns meses e no qual o vencedor dessa competição ganha uma bolada em dinheiro e sai dessa “luta” sendo considerado o “rei da cocada”, um verdadeiro ídolo. Opa, calma gente! Ídolo! Bom, isso mesmo, para a maioria das pessoas, o último ganhador do Big Brother é um herói. Sei lá o que passa na cabeça de alguém para idolatrar uma pessoa assim. Talvez a simpatia dele possa ter feito com que a população achasse que ele fosse uma pessoa boa? Hum, não sei, quem sabe este cidadão que ganhou o prêmio da Rede Globo é igual a população que assistia o programa? Bom, não sei precisar o que se passa. Talvez a superexposição da figura do vencedor do Big Brother fez com que ele penetrasse na mente das pessoas, assim como um martelo que fica “martelando” em nossa cabeça sem parar. Algumas vezes em uma intensidade maior e em outras em uma intensidade mais baixa. Essa fragmentação faz com que as pessoas acabem por idolatrar alguém que esteja em voga no momento, sem precisar se esta pessoa é boa ou má. Levo isso também para o meio político, o famoso momento das eleições.
Mas uma indagação a que remeto. O que realmente pode ser considerado um ídolo? Qual seria o meu ídolo? Bom, se for parar para pensar pura e simplesmente, não posso convincentemente dizer que tenho um ídolo ou uma pessoa que posso definir como um mito para mim. Para fazer isto, necessito primeiramente ter em mente o que realmente significa estes dois itens: ídolo e mito.
Talvez se muitas das pessoas em nosso país soubessem o que realmente significa ser um ídolo ou um mito, muitos não teriam nenhum escolhidos ninguém para preencherem estas lacunas. Afirmo também que esta constatação é muito relativa, pois, o que pode ser bom para mim pode não ser bom para outra pessoa.
Mas de uma coisa tenho certeza, escolher alguém para mitificar ou idolatrar não é simplesmente uma escolha por beleza ou estética, mas sim por convicções e por como mencionei anteriormente, por ideologia e crença.
Este apelo estético que muitos condicionam aos seus ídolos também pode ser levado ao “pé da letra” pela análise da mídia. Que com certeza tem parte neste apelo fotogênico e dito “maravilhoso”.
Bom, termino este texto chegando a conclusão de que ainda não consegui escolher ninguém que se enquadre e passe pela minha prova de escolha de ídolos.
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