O trem nosso de cada dia…

27 03 2008

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Por Michel Pozzebon / No Plural

Em um mundo em que se busca cada vez mais alternativas para se preservar o meio ambiente, nada mais justo do que reduzir a emissão de poluentes através do transporte coletivo, diga-se ai metrô, que consome energia elétrica e não polue o ambiente com a emissão da fumaça originada da queima de combustíveis como o diesel de ônibus. Além desse ganho para a natureza, esse fator também possibilitará economia no bolso da população, uma vez que a população de Novo Hamburgo/RS clama pela ampliação da linha do trem até o município.

Veja o exemplo:

Percurso - Novo Hamburgo / Porto Alegre

Passagem de ônibus: R$ 4,50

Passagem de trem: R$ 1,70

Diferença de 264%, gerando uma economia real de R$ 2,80 por viagem.

Cabe ressaltar que o trem auxiliará no desafogamento da BR-116, principalmente em horários de pico.





Cultura BBB

26 03 2008

Por Michel Pozzebon / No Plural

Nestes últimos meses, não tinha quem não comentasse sobre o famoso Big Brother Brasil, acredito que só eu estava alienado em “meu mundinho” me excluindo do grupo que assistia as bizarrices da turma do vulgo BBB. O negócio estava tão forte, que nesta última semana fui almoçar em um restaurante e quatro meninas que estavam sentadas em uma mesa ao lado, ficaram praticamente mais de 30 minutos comentando sobre quem ganharia a bolada de R$ 1 milhão no reality show. Após o almoço voltei ao trabalho e em meu setor, todo mundo comentando a respeito do mesmo assunto do almoço e eu sempre na minha, me abstendo de comentários, meio que ignorando quem falava sobre aquele assunto. Chego à noite na faculdade e adivinha o tema da aula? Volto para a casa, ligo a televisão e lá Pedro Bial apresenta o BBB! Ligeiramente, em uma zapeada e outra, troco de canal. UFA! Que alívio!

Bom, praticamente em todos os lugares em que freqüentava, quase todo mundo falava nesse “trem” de programa e eu pensando: “que gente mais ignorante, realmente são uns alienados que não tem o que fazer”. Mas confesso, que nesta última edição do reality show eu estive mais tolerante, tentando respeitar as opiniões de quem assistia o BBB. Afinal, nem todo mundo também gosta do que eu assisto na tv, portanto, tolerância sobretudo.

Chegado ao fim mais uma edição deste reality show, e eu no auge de minha alegria, comemoro fervorosamente a volta da normalidade, tanto na televisão quanto ao Brasil, que digamos, quase parou para assistir o programa comandado pelo renomado jornalista Pedro Bial. Comunicador este que já foi correspondente de guerra, fazendo coberturas especiais como copa do mundo e que foi obrigado a conduzir o BBB desde a sua primeira edição no Brasil.

Se o país volta a trabalhar depois do carnaval, esta nação também retorna a normalidade após uma edição deste reality show, pois quando o BBB está no ar, a população esquece o que anda ocorrendo no centro do poder em Brasília. A corrupção neste período não existe mais. Os problemas sociais praticamente todos resolvidos. Realmente, acordamos do profundo sono de meses, assim espero.





Como escolher um ídolo?

4 08 2007

Por Michel Pozzebon / No Plural

A cada dia nos deparamos com fatos e notícias que nos deixam de “cabelo em pé”. Os diversos escândalos que a população brasileira tem que “engolir goela abaixo” e outras coisas mais, tanto em nível político quanto em nível social. A partir do meio social começo analisando a construção dos mitos e heróis.

Antigamente as pessoas tinham como ídolos personagens históricos que lutavam por ideais e por uma sociedade digamos mais digna. Aquele famoso ditado ainda prevalecia: “vestia a camiseta”. Hoje em dia o que se pode analisar é jovens cada vez mais desinformados e que adotam ídolos apenas por acharem que eles são “bonitos” ou “legalzinhos”, sem nem ao menos saberem um pouco de sua história.

Certo dia, fui eu acessar a famosa rede de relacionamentos virtuais, o Orkut, lá fui navegando pelas seções de Comunidades, eis que acesso o grupo de pessoas que tinham como ídolo o guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara. Bom, até ai tudo bem, mas passei a ver as discussões a que se propunha o tal grupo e constatei que eu sendo leigo no tema “Che Guevara”, sabia muito mais do que aquelas “cabeças” que ali estavam. Vi pessoas que nem ao menos sabiam que o guerrilheiro era argentino, a grande maioria que ali estava afirmava que Che era cubano. Puxa vida, aquilo para mim foi “grosseiro”, foi o mesmo que chamar um japonês de chinês ou vice-versa. Um total desconhecimento de história e o pior de tudo, classificam “o cara” como seu ídolo sem nem ao menos saber de sua nacionalidade, o que digamos é algo básico.

Bom, remeto tudo isso que relatei como experiência própria, alguma vez na vida já me deparei com estas situações e também não estou aqui para dizer que estou certo e que também nunca fiz isso. Pois como diz aquela passagem bíblica: “que atire a primeira pedra quem nunca pecou”. Tolice total, cometi diversas vezes esse erro que vi no Orkut e posso dizer sem sombra de dúvida que a maioria dos brasileiros é assim. Talvez seja culpa da mídia! Bom, mas afinal, tudo é culpa da mídia e do governo! “Puxa, haja saco”, sempre sobra para eles.

Quem sabe o problema não seja a gente? Analiso a construção de um mito também a partir do conhecimento e da cultura do povo que idolatra alguém. Tomo como base o Big Brother. O programa que reúne um bando de pessoas que fica confinado em uma casa durante alguns meses e no qual o vencedor dessa competição ganha uma bolada em dinheiro e sai dessa “luta” sendo considerado o “rei da cocada”, um verdadeiro ídolo. Opa, calma gente! Ídolo! Bom, isso mesmo, para a maioria das pessoas, o último ganhador do Big Brother é um herói. Sei lá o que passa na cabeça de alguém para idolatrar uma pessoa assim. Talvez a simpatia dele possa ter feito com que a população achasse que ele fosse uma pessoa boa? Hum, não sei, quem sabe este cidadão que ganhou o prêmio da Rede Globo é igual a população que assistia o programa? Bom, não sei precisar o que se passa. Talvez a superexposição da figura do vencedor do Big Brother fez com que ele penetrasse na mente das pessoas, assim como um martelo que fica “martelando” em nossa cabeça sem parar. Algumas vezes em uma intensidade maior e em outras em uma intensidade mais baixa. Essa fragmentação faz com que as pessoas acabem por idolatrar alguém que esteja em voga no momento, sem precisar se esta pessoa é boa ou má. Levo isso também para o meio político, o famoso momento das eleições.

Mas uma indagação a que remeto. O que realmente pode ser considerado um ídolo? Qual seria o meu ídolo? Bom, se for parar para pensar pura e simplesmente, não posso convincentemente dizer que tenho um ídolo ou uma pessoa que posso definir como um mito para mim. Para fazer isto, necessito primeiramente ter em mente o que realmente significa estes dois itens: ídolo e mito.

Talvez se muitas das pessoas em nosso país soubessem o que realmente significa ser um ídolo ou um mito, muitos não teriam nenhum escolhidos ninguém para preencherem estas lacunas. Afirmo também que esta constatação é muito relativa, pois, o que pode ser bom para mim pode não ser bom para outra pessoa.

Mas de uma coisa tenho certeza, escolher alguém para mitificar ou idolatrar não é simplesmente uma escolha por beleza ou estética, mas sim por convicções e por como mencionei anteriormente, por ideologia e crença.

Este apelo estético que muitos condicionam aos seus ídolos também pode ser levado ao “pé da letra” pela análise da mídia. Que com certeza tem parte neste apelo fotogênico e dito “maravilhoso”.

Bom, termino este texto chegando a conclusão de que ainda não consegui escolher ninguém que se enquadre e passe pela minha prova de escolha de ídolos.